Uma câmera que luta com você não está te tornando um fotógrafo melhor
Às vezes eu ouço essa ideia de que equipamentos desajeitados e complicados são, de alguma forma, um rito de passagem. Que lutar com menus escondidos e configurações crípticas faz parte de ganhar o seu espaço criativo. Eu discordo.
Os melhores momentos que capturei em becos estreitos ou em feiras de fim de semana aconteceram porque a ferramenta saiu do caminho. Um batente de porta gasto, na iluminação certa, não espera você vasculhar três submenus. A textura está lá por um segundo, talvez dois, e então o sol muda de posição ou alguém atravessa. Se a sua câmera pune você por não memorizar a lógica dela, isso não é liberdade criativa. Isso é uma falha de design disfarçada de profissionalismo.
Não estou dizendo que tudo deva ser simplificado. Quero controle manual total quando eu precisar. Mas poder e intuição não devem ser opostos. Um vendedor de feira de pulgas que faz você resolver um quebra-cabeça antes de poder segurar o objeto não está protegendo o ofício; ele está apenas desorganizado.
Curioso para saber se outros sentem que o atrito de equipamentos complexos realmente ajudou em seu trabalho, ou se apenas aprendemos a tolerá-lo e chamamos isso de crescimento.