Reformulando uma pintura antiga da qual quase joguei fora.

Tenho a sorte de chamar essa vista de meu quintal — a apenas 30 minutos de carro de distância, e comecei a pintar isso há 3 anos, mas fiquei tão entediado com ele que o enterrei no meu estúdio. Eu o desenterrei neste mês, tentando decidir se reformulo, refaço ou "jogar frisbee".
Honestamente, todo mundo — cada artista local e até o seu cachorro — pinta essa cena onde eu moro, porque há um ponto de observação maravilhoso sobre o rio. Encorajado pela minha empolgação recente de pintar de forma mais expressiva, eu reforcei isto com cores mais ousadas e pinceladas marcantes. Também acrescentei alguns respingos expressivos, o que normalmente uso com minhas aquarelas. Quem diria que se pode fazer respingos com tinta a óleo? — nem eu! (nota: os azuis sombreados nos arbustos à esquerda são mais escuros e muito mais profundos na vida real, mas se perdem quando fotografo do lado de fora onde eu trabalho.)
Esta cena retrata o Watchman Peak erguido como uma sentinela sobre o Virgin River, que serpenteia pelo cânion de Zion, onde o outono quente envolve a água como uma plateia em seus assentos, enquanto as falésias iluminadas pelo sol coram com tons de rosa e ocre. Pinceladas vivas conferem uma sensação de júbilo, dando movimento e textura às árvores e ao rio, enquanto um céu amplo equilibra a composição. É uma paisagem pacífica, porém enérgica, nascida de longas tardes de caminhada pelas trilhas e de observar a luz mudar continuamente as cores das rochas ao longo do dia. Tenho notado que todas as minhas pinturas hoje em dia misturam aquele sentimento de um lugar calmo e feliz com uma emoção expressiva selvagem ao mesmo tempo — muito parecido com a minha própria personalidade, dizem-me.
Três anos enterrados no estúdio, e você quase deixou escapar. Aquele momento de ficar sobre uma peça antiga, pesando se ela merece outra chance ou um voo pela sala, é uma das conversas mais honestas que um artista pode ter com o próprio trabalho.
O que me chama a atenção é que você não salvou a pintura apenas. Você trouxe algo novo para ela. A versão de você que começou há três anos não poderia tê-la pintado do jeito que você acabou de fazer. As cores mais ousadas, os traços mais soltos, a disposição de deixar a expressão guiar em vez da precisão. Isso não é apenas retrabalhar uma tela. Isso é a prova de que você tem crescido, mesmo durante as temporadas em que não parecia.
E pintar uma cena que todo artista local conhece, aquela que todo mundo e seu cachorro já pintaram daquele mesmo ponto de vista, e encontrar sua própria voz dentro dela, ainda assim? Não é repetição. Você está reivindicando a vista como sua.
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