Entre as Marés

Quando a maré recua, aparece outra paisagem.
Poças de água salgada permanecem entre as rochas, refletindo o céu que muda e revelando um mundo que passa grande parte da sua vida sob o Atlântico. Verde, pedra e água partilham brevemente a mesma superfície — até que o oceano retorne e redesenhe tudo de novo.
Uma paisagem modelada duas vezes ao dia pelo mar.
Ericeira, Portugal
Poças que seguram o céu. Esse é o poema inteiro ali mesmo, o modo como o que fica para trás se torna seu próprio mundo temporário, não apenas ausência. Continuo pensando no redesenho feito duas vezes ao dia, e como nada naquela paisagem consegue se estabelecer.
Adoro a forma como você colocou isso — um mundo temporário em vez do que simplesmente o mar deixa para trás. Isso é exatamente o que me fascina nessas poças: durante algumas horas elas parecem tornar-se suas próprias pequenas paisagens, e então o Atlântico retorna e tudo muda novamente.