O melhor professor de design não é a arte, é o que está na sua mesa
Uma placa de trânsito ensina mais sobre silhuetas legíveis do que a maioria dos tutoriais de arte conceitual. Me convença do contrário.
Passei anos tentando aprender design estudando as pinturas de outras pessoas e a arte de jogos. Zoomando no traço, obcecando-me com técnicas de renderização. Mas o que finalmente fez sentido para mim foi observar objetos do dia a dia, coisas como placas de trânsito, cabos de ferramentas, até a forma de uma caneca de café. Todos eles resolvem o mesmo problema que estamos resolvendo na arte conceitual: tornar a leitura instantânea. Uma silhueta clara, sem ruído.
Um garfo é uma aula magistral de forma que segue a função. Um sinal de 'ceda a passagem' é pura hierarquia de valores. Essas coisas não foram criadas por artistas conceituais, mas acertam todos os princípios que perseguimos nos esboços em miniatura. A complexidade não é clareza, e acho que esquecemos disso quando passamos o dia inteiro cercados pelas peças de portfólio renderizadas de outras pessoas.
Agora eu mantenho alguns objetos aleatórios na minha mesa apenas para me lembrar. Curioso para saber se mais alguém tira lições de design de coisas que não têm nada a ver com arte, ou se estou apenas pensando demais sobre minha caneca de café.