Descrição
A neve não deveria ser nada de especial.
As escolas permaneceram abertas, e a maioria das pessoas seguiu com suas rotinas normais. Mas algo não me parecia certo. Decidi deixar meu enteado mais novo em casa naquela manhã. Não consegui explicar o porquê — apenas tive a sensação de que esta tempestade seria diferente.
Em poucas horas, tudo mudou.
A neve caiu rápida e fortemente. As estradas ficaram intransitáveis. Os ônibus escolares não conseguiam chegar em casa. As crianças ficaram ilhadas, algumas caminhando por quilômetros na neve profunda com casacos que nunca foram feitos para um tempo como este. As rodovias foram fechadas. As pontes foram fechadas. Por alguns dias, grande parte do norte da Geórgia simplesmente ficou parada.
Tenho morado aqui tempo suficiente para saber que a neve na Geórgia é coisa rara. Mas quando recebemos uma verdadeira tempestade de inverno, ela exige toda a sua atenção.
Não consegui viajar para minhas trilhas favoritas ou mirantes nas montanhas, mas não iria deixar que isso me impedisse de fotografar um dos dias de inverno mais lindos que já vi. Então dei apenas alguns passos para fora da minha porta e comecei a observar o mundo ao meu redor com mais atenção.
Lá, em um pequeno galho de junípero ao lado da minha casa, o gelo começava a derreter. Pequenas gotas de água agarravam-se às agulhas, capturando a suave luz do inverno antes de voltarem silenciosamente à terra.
Às vezes, as fotografias que ficam conosco não são encontradas no final de uma longa caminhada ou em uma montanha distante. Às vezes, elas esperam bem na porta de casa, lembrando-nos de que a beleza tem uma maneira de nos encontrar quando escolhemos desacelerar e perceber.