Descrição
Uma mulher senta-se numa cadeira de rodas diante de uma televisão. Na tela, um jogo de futebol desenrola-se sob uma luz azul do entardecer. A sala está mergulhada nessa mesma tonalidade de azul — fresca, quieta, quase submersa. Ela está descansando depois de um dia cansativo, escolhendo este momento de silêncio para si? Ela é fã do esporte, absorvida pela partida por escolha própria? Ou está a assistir porque alguém escolheu o canal — colocada diante da TV sem ter voz ativa sobre o que ela preferiria fazer? "The Box" não responde a isso, e esse é o ponto. A própria cadeira de rodas não é a história. Ela não nos diz nada sobre quem é essa mulher além disso — ela poderia ser advogada, mãe, avó, colega de casa, qualquer pessoa que leve uma vida comum com suas demandas comuns, simplesmente carregando uma camada extra de desafio para chegar lá. A deficiência não é uma condição única nem um grau fixo de necessidade — ela se move ao longo de seu próprio espectro, desde total independência até dependência real de outros, e a maioria das pessoas fica em algum lugar entre os dois. O que a cadeira deixa claro é um ponto em que a autonomia pode ser silenciosamente entregue a outra pessoa — onde as escolhas na vida, até algo tão pequeno quanto qual canal está ligado, podem ou não pertencer mais à pessoa que a vive. Ofereço esta peça como parte de uma conversa mais ampla sobre inclusão — não como uma afirmação de que a deficiência seja algo separado ou diferente, mas como um fio na mesma continuidade em que o resto de nós vivemos. Preferiria que você decidisse o que vê nela. Pense na sua própria vida, nas suas próprias escolhas — elas se refletem nesta imagem? Ou será que o que se vê refletido é outra coisa — algo mais institucional, mais onipresente, que nem sempre vemos?