Descrição
Há momentos ao longo da Passagem Interna em que o mundo se silencia quase de forma irreconhecível. A costa recua na sombra. As árvores se dissolvem na névoa. E o que permanece é a luz — sustentada por tempo suficiente na superfície da água para ser vista. Esta fotografia foi feita sob a luz de uma lua cheia, onde o contraste entre escuridão e reflexo se torna o próprio tema. A terra não é mais o foco. O céu já não é separado. Tudo começa a se fundir. O que me chamou a atenção nesta cena não foi a lua, mas o que ela revelou — o movimento sutil da água, o entrelaçamento da atmosfera, e a maneira como a floresta mantém sua margem sem se revelar totalmente. Em preto e branco, a imagem se torna menos sobre o lugar e mais sobre a percepção. Sobre o quanto é necessário para segurar um momento, e quão rápido ele passa se não estamos atentos.