Descrição
A verdade do espelho revela o drama silencioso de dois mundos que se encontram: à esquerda, a beleza contida da natureza, onde as aparências ainda se mantêm. À direita, uma realidade decadente e abandonada se abre, um lugar onde até a luz se cansa. Entre esses dois polos, planos pretos marcam a fronteira — ou talvez a própria fratura. Sobre tudo isso paira uma terceira perspectiva: um olhar superior que segura o espelho, vê a desintegração, e nada faz. A tristeza da pintura nasce dessa presença impotente — da percepção de que a verdade do espelho não reflete o mundo, mas a nossa própria impotência.