Antes da Fechadura do Dossel
>>Antes da Fechadura do Dossel <<
A volta silenciosa da luz antes do fechamento do dossel
A primavera não aparece de uma vez.
Ela começa silenciosamente—bem perto do chão.
Antes que os dosséis das dunas se fechem acima—antes que as trilhas e os leitos dos riachos se encham—há uma janela breve onde o chão da floresta se abre primeiro. A luz alcança lugares que não tocará novamente por meses. As ephemeras—as flores confiáveis da primavera—surgem, florescem rapidamente e desaparecem na mesma velocidade.
Nos savanas de Carvalho Negro, ao longo dos leitos dos rios, e pelas antigas cristas das dunas, esse momento é fácil de perder completamente.
Mas está lá—todo ano.

Olhar para o interior de Cowles Bog antes da folha desabrochar
Não é tanto um espetáculo. Não tanto uma fuga.
Mas uma espécie de renovação que não exige nada de nós além de que percebamos.

Savanna de Carvalho Negro — Duna de Tolleston
Em um mundo que parece cada vez mais fragmentado, barulhento e incerto, percebo que volto a esses lugares com mais propósito.
Não para escapar de alguma coisa.

Gatuchos de amieiro em Cowles Bog — início da primavera antes das folhas desabrocharem
Mas para ser lembrado de que algo ainda se mantém.
Que os ciclos continuam.
Que a luz ainda encontra seu caminho.
Que até a mais breve florção carrega sua própria completude.
Estas fotografias vêm desta janela inicial—antes das folhas desabrochar, antes que a densidade retorne—quando a estrutura, a cor e o tempo se separam e se tornam visíveis mais uma vez, por um breve momento.
Nãa são feitas para explicar nada.
Apenas para mostrar o que está ali.

Primavera em Cowles Bog
O que eu mais gosto na fotografia de Natureza ou até mesmo na fotografia de paisagens é que meus sujeitos posam por si mesmos, sem precisar de muita orientação. Então, é só uma questão de esperar pelas condições ambientais certas - luz, umidade, temperatura e vento/ brisa (esperançosamente menos disso, rs). Pelo próprio processo da coisa, após 60 anos, conheço o ambiente e o tempo de espera como a palma da minha mão. A terceira parte do processo para mim é que eu amo demais o que faço e meus sujeitos param de forma definitiva.