Caravaggio concluiu A Prisão de Cristo — 1602

Em 22 de novembro de 1602, Michelangelo Merisi da Caravaggio concluiu A Prisão de Cristo, uma obra-prima que retrata o momento da traição de Judas no Jardim de Getsêmani. A pintura foi encomendada pelo nobre romano Ciriaco Mattei, um dos patronos mais fiéis de Caravaggio durante seus anos em Roma.
A composição é um estudo de tensão e movimento. Seis figuras se comprimem na quase escuridão, iluminadas por uma única lanterna erguida na borda direita da tela. Judas prende Cristo em um abraço enquanto soldados armados se aproximam por trás. Caravaggio colocou-se na cena como a figura que segura a lanterna, uma assinatura silenciosa que também funciona como uma meditação sobre o papel do artista como testemunha. A pintura deixou de ser conhecida pelo público por quase dois séculos antes de ser redescoberta em uma residência jesuíta em Dublin, em 1990.
Poucas pinturas capturam a traição com tamanha imediatidade física, lembrando que a arte mais poderosa frequentemente vive no espaço entre duas figuras, não em um grandioso espetáculo.